A intenção deste blog é promover alternativas por uma Educação Física diferenciada, que fuja das mesmices e superficialidades. Pois bem, perante o cenário atual da cidade que vivo, onde o ESPORTE, enquanto uma manifestação cultural impregnada pelos valores da era moderna, ocupa uma parte bastante visceral do cotidiano das pessoas, trás consigo as idiossincrasias de uma sociedade capitalista. Além disso, um olhar rápido pela cidade já permite constatar a desigualdade na distribuição dos bens materiais/culturais.
Vendo o esporte desta forma, queria relacioná-lo às eleições para prefeitura do Rio deste ano. Da forma como é dirigida cidade, isto é, atrelada a interesses econômicos, aliando-se à iniciativa privada, favorecendo empresas da construção civil e de transportes, 'leiloando' em lotes nosso território a grandes empresários etc etc etc, a paixão e alegria que o esporte traz é usada para 'hipnotizar' os cariocas e impedi-los de ver algo cruel e grave.
Como havi dito na minha última postagem, viver numa cidade de grandes eventos esportivos é um luxo só para quem tem dinheiro e/ou para quem tem pay-per-view. Além disso, as empreiteiras estão gastando muito com construções e mais construções de estádios, ginásios, autódromos etc para que num próximo evento, se faça reformas ou, até mesmo, demolir o que foi constrúido para construir de novo. É o caso do Maracanã que desde o Pan de 2007 tem passado por várias reformas (e cada vez custando mais...).
Atualmente, tenho tido muito interesse na militância política e venho aqui expor o meu voto ao Marcelo Freixo (PSOL). Não vejo ninguém tão bem esclarecido sobre a situação atual desta cidade. Não é possível que continuemos a lotear nossa cidade e aceitar o que tem sido feito pelo atual prefeito. A cidade não está melhor. Ela está apenas remodelada pelas construtoras e aí sim melhor... para os donos delas.
Votar em Freixo é considerar uma nova visão de organização urbana e moral.. Para muitos, isto é uma discussão longa e distante que não se faz necessário agora. Mas é de ordem crucial.
Jogos Panamericanos, Jogos Mundiais Militares, Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Esses eventos fazem a alegria de qualquer admirador por esportes e recheiam as aulas de qualquer professor de educação física. Afinal, como ficar alheio a tantas atrações? A nossa cidade tem chamado atenção de todos por atrair inúmeros eventos. Se contarmos ainda eventos que não fazem parte da esfera esportiva como Rio+20, podemos dizer que moramos no 'centro da Terra'.
Porém, como professores não podemos levar à sala de aula apenas o lado saudável, positivo e divertido disso tudo que são as práticas esportivas, a oportunidade de conhecer novos esportes etc. Temos que ser realistas e coerentes com nossa profissão. A partir daí, analisemos o lado negativo da coisa e reconhecer que o Rio de Janeiro estã sendo vendido (sem aspas!) para grandes empresas privadas. A relação que o poder público tem com a iniciativa privada é de ceder nossa cidade sem a opinião pública, vide a linha 4 do metrô, as obras do Maracanã, o BRT Transoeste, entre outros.
Você sabia que após reformas para o Pan 2007 e o atual fechamento para a Copa de 2014, já pensam em outra reforma para 2016? Sabia que a Fifa lucra a cada Copa e a África do Sul teve um aumento do desemprego após sua Copa em 2010?
Devemos ou não abordar isso com nossos alunos? E função da Educação Física? Eu acho que sim, né? Chega de ficar em cima do muro e só 'praticar'.
Eu vivo numa cidade de megaeventos com criticidade e sei que todo esse 'legado' que está nascendo não será para todos...
Posto um vídeo abaixo não levantando bandeiras partidárias, mas, sim, ideológicas. Mas uma coisa não está ligada à outra? Ah, acho que descobriram o meu voto então nas próximas eleições!
Transcrevo uma crônica feita por um leitor do jornal O Globo que desconheço o nome, porém já parabenizo o autor, pois resume bem a situação atual das ciclovias no Rio de Janeiro e mostra que NÃO PODEMOS engolir qualquer frase, propaganda ou notícia com sendo verdadeira, sem nos questionarmos. Vale a pena ler.
Existem umas coisas assim, inventadas num de repente, que me dão um
susto. Como o Rio pode ser, ou passar a ser, assim numa frase e num
instante, a "capital da bicicleta"? Como posso não me espantar? Logo eu,
um ciclista insistente que usa a bicicleta para se deslocar umas vezes
por necessidade, outras por lazer em fim de semana, e sempre passo por
situações bastante arriscadas e muito perigosas. Como posso crer que
isso vai seguir adiante e num milagre passarei a pedalar pela capital da
bicicleta? Se o Rio vai passar a ser a capital da bicicleta, vê-se por
aí que ninguém sabe e ninguém foi avisado.
Primeiro vamos
considerar Rio de Janeiro como um todo, ou só se governa para a Orla da
Zona Sul? Nosso Rio tem Botafogo, Bairro de Fátima, Centro, Tijuca,
Méier, Madureira, São Cristóvão... E digo uma coisa: andar de bicicleta
por esses bairros, como ando às vezes, é uma loucura.
Se a
administração da cidade quiser, imagino que num prazo de 5 anos se
obterá algum resultado positivo e real nessa direção e com custo baixo,
mas serão necessário primeiro uns anúncios na mídia educando motoristas a
respeito, porque o caso não são só os ciclistas e sim os motoristas,
principalmente os dos ônibus (para variar...). Esses passam por mim a 20
cm sem diminuir a velocidade em nada. E ai do ciclista que cometer um
erro nessas horas. É muitíssimo arriscado, só se gostando muito de andar
de bicicleta.
Andar pelas calçadas ou pelas beiras da pista? Não é
permitido andar de bicicleta pelas calçadas, mas é o que se faz na
maioria das vezes, com o máximo de cuidado possível, já que pelas ruas é
loucura absoluta. Muito arriscado, não recomendo para ninguém.
A
prefeitura faz obras e obras e nenhuma ciclovia pela Zona Norte. Agora
mesmo refez grande parte da calçada colada ao metrô da Praça da Bandeira
e poderia muito bem iniciar a implantação de uma ciclovia junto à linha
do trem que iria do Centro aos bairros do subúrbio. Refizeram todas as
calçadas da Tijuca, na ruas Uruguai e Conde de Bonfim, e poderiam
implantar aí também uma ciclovia na beirada, e nada foi feito. A estrada
que vai de Cabo Frio a Búzios foi feita com uma ciclovia ao lado,
apenas desenhada no chão e com sinalização, coisa baratíssima, e aqui no
Rio nunca vi isso em nenhum lugar.
Portanto, gente, para o Rio
ser capital da bicicleta só demos um passinho de nada, falta
praticamente tudo. Abraços e boas pedaladas, mas com muito cuidado!
Esta é uma frase de Tommy Smith, ex-atleta americano, campeão olímpico nos 200m na Olimpíada de 68. Aproprio-me desta citação para debater algo que me intriga e me incomoda, porém nunca vi nada a respeito disso. Os Jogos Olímpicos é o evento mais importante e emblemático do esporte. Disso não há dúvidas! E seu objetivo é permitir que todos os países e povos de diferentes origens, etnias possam competir e se unirem, mostrando que é possível um mundo mais igual, saudável e amigável. A própria bandeira olímpica representa essa união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados, representando os cinco continentes e suas cores. A paz, a amizade e o bom relacionamento entre os povos são os princípios dos jogos olímpicos.
Pois bem, na minha última postagem já havia questionado um pouco isso através do caso ocorrido com o próprio Smith na olimpíada do México em 68, onde ele fez um protesto junto com Joe Carlos, erguendo as mãos com os punho cerrados e usando uma luva preta. O gesto era a favor dos direitos humanos civis e contra o preconceito racial muito em voga naquela época (e porque não dizer ainda hoje...).
Enfim, o que quero divulgar aqui é uma comparação que faço entre duas tabelas. A primeira mostra o quadro geral de medalhas de todas as Olimpíadas. A segunda é o Índice de Gini, cálculo usado para medir a desigualdade social, desenvolvido pelo estatístico italiano Corrado Gini, em 1912. Apresenta dados entre o número 0 e o número 1, onde zero corresponde a uma completa igualdade na renda (onde todos detêm a mesma renda per capta) e um que corresponde a uma completa desigualdade entre as rendas (onde um indivíduo, ou uma pequena parcela de uma população, detêm toda a renda e os demais nada têm).
Tendo como base a tabela e o mapa acima, podemos perceber que os vinte países que mais ganharam medalhas na história dos Jogos Olímpicos possuem um índice de Gini abaixo de 0,50, o que corresponde uma desigualdade social baixa. A exceção é Cuba (de cinza) que não possui dados divulgados.
Vale destacar a presença das extintas Alemanha Oriental e a União Soviética (em azul), que, após o fim da Guerra Fria transformaram-se em Alemanha e Rússia. Juntamente com a China, considerada como a futura potência olímpica que em breve deverá ocupar a primeira colocação deste ranking, esses quatro países supracitados são de origem comunista, ideologia que utiliza(va) o esporte como propaganda do governo, disseminando sua disciplina e força pelos atletas.
Já o Brasil está muito abaixo dos vinte primeiros e com o pior índice de Gini (maior do que 0,60).
Podemos fazer uma relação com a obtenção de medalhas em Olimpíadas e a desigualdade social que temos atualmente. Analisando este evento através de uma perspectiva crítica, podemos verificar que ele apenas ratifica as desigualdades entre os países, embora o discurso dos Jogos seja completamente diferente.
O esporte atualmente está atrelado a investimentos econômicos altíssimos. Afinal, a preparação física de cada atleta requer suporte adequado, principalmente dos atletas de ponta, que buscam medalha efetivamente. Daí, a necessidade financeira enorme, para equipar centros de treinamento, materiais de alta tecnologia, nutrição, salários etc.
Porém, em tempos de Olimpíadas não se discute esta questão. Sempre os Jogos são vistos superficialmente, não se debatendo neles como seria possível colaborar para diminuir esta distância abissal. Fica a reflexão.
O evento esportivo mais importante do mundo é, sem dúvidas, as Olimpíadas. Desde a Grécia Antiga, homens disputam para ver quem o mais veloz, mais forte, mais eficiente. O discurso principal da olimpíada é mostrar ao mundo que todos são iguais e todos podem competir e viver em harmonia. Foi neste evento que vi a cena que mais marcou a minha vida e mais marcou a minha admiração pelos esportes.
1968, Olimpíada da Cidade do México. Embora eu só tivesse nascido em 1982 e lembrar apenas da Olimpíada de Barcelona (1992) em diante, foi através dela que percebi como fenômeno esportivo é fascinante, transformador e questionador. Desde criança eu lembrava daquela imagem. Ou porque assistia na TV através de alguma retrospectiva sobre as olimpíadas, ou porque falavam sobre alguma atleta brasileira etc. Mas não lembro de ninguém ter mencionado o que verdadeiramente aquilo significava.
Considero a imagem acima a mais importante da história do esporte e uma das mais importantes da história do século XX. Nela, estão o norte-americano Tommy Smith, medalhista de ouro nos 200m raso, à sua direita Peter Normam, australiano e medalha de prata e, à sua esquerda John Carlos, também norte-americano e terceiro colocado.
Os braços estendidos e as mãos fechadas com um luva preta eram um protesto contra o racismo vivido naquela época nos Estados Unidos, assim como uma forma de fomentar a discussão sobre os direitos humanos tão cerceados naquele momento. A própria cidade que sediava a olimpíada sofria com a pobreza de grande parte de seus cidadãos. Muitos foram mortos em protesto contra a presença dos Jogos, alegando que não é justo e de uma hipocrisia tamanha disseminar a integração dos povos e da paz no mundo como lema das Olimpíadas, sendo que o mesmo mundo passava por crises sociais e políticas gigantescas.
Não é preciso falar ou discursar para questionar. Basta um gesto para que isto ocorra e choque todos ao seu redor.E foi isso que ocorreu. Poucos sabem, mas após este fato os três atletas nunca mais tiveram suas vidas normalizadas.
Todos foram expulsos das suas delegações, foram proibidos de participar de outras Olimpíadas, não obtiveram o sucesso de outros atletas, tanto em termos financeiros, quanto em termos profissionais. Tommy Smith após a Olimpíada se tornou lavador de carros e John Carlos viu sua mulher se suicidar após diárias ameaçs de morte que ele e sua família recebiam. E o único atleta branco do pódio? Por que ele sofreu essas "punições"?
Um documentário chamado "Salute" - ainda não à venda no Brasil - aborda bem o ocorrido. Porém, ele traz como foco não os dois atletas americanos que defendiam o chamado "Black power", mas, sim, o outro atleta que completava aquele pódio: Peter Normam, falecido em 2006.
No filme, recentemente passado pelo canal Sportv, é contado que Normam, o maior velocista da história da Austrália até hoje e que ainda detém o recorde dos 200m do país, aceitou e apoiou a atitude dos seus colegas negros. Foi ele que sugeriu que cada um vestisse uma luva apenas, após Carlos ter esquecido o outro par de luvas na vila olímpica. Além disso, todos, inclusive Normam, foram para o pódio com um broche a favor da luta pelos Direitos Humanos. Embora, ele não tenha levantada a mão e nem seque olhada para trás, ele se mostrou um herói do esporte por apoiar uma causa que está acima de qualquer medalha. Está acima de qualquer carreira. Está acima de qualquer Ser Humano.
Normam nunca foi homenageado em seu país. Na Olimpíada de Sidney em 2000, ele não foi sequer convidado a participar da abertura, do revezamento da tocha etc. E o mais curioso é que naquela olimpíada a Austrália discutia a integração dos Aborígenes e sua importância histórica para o país. Porém, esqueceram de um ex-atleta que já havia colocado seu nome na história da igualdade racial.
Normam é um exemplo de como o sistema é perverso e consegue pelos seus tentáculos oprimir a todos. Ele só seria agraciado pela ordem hegemônica se vencesse aqueles negros? Só que ao se juntar a eles, foi completamente excluído.
Sinto falta de mais véiculos de comunicação divulgarem este tipo de acontecimento. Este caso é um exemplo raro de como o esporte deve ser debatido de forma mais profunda dentro das escolas. Peço inclusive a ajuda dos professores de história e de geografia. É um ótimo trabalho interdisciplinar.
Abaixo, segue uma reportagem sobre o caso, porém focando em Tommy Smith e não em Peter Normam. Mas de qualquer forma, vale muito a pena assistir.
Você sabia que neste mês de dezembro está acontencedo o primeiro Campeonato Mundial de Handebol realizado no Brasil?
Se você respondeu 'sim', tu és um privilegiado.
Se você respondeu 'não', não se preocupe, a maioria também não sabe e a culpa não é sua.
O Handebol é o esporte mais praticado nas escolas brasileiras, logo após o futebol. Pratica-se mais Handebol do que vôlei e basquete, por exemplo. Acredito que isso tem a ver com a sua fácil assimilação dos alunos, já que é jogado com as mãos, tem que acertar um alvo grande (a baliza), pode quicar e deixar a bola rolar no chão e permite 7 pessoas jogando num time.
Se o Brasil mesmo assim não é uma potência no esporte, não é por culpa dos professsores de educação física que atuam em escolas. É bom deixar isso bem claro! São por outros ínumeros motivos que não fazem desse país uma potência esportiva como, por exemplo, desvio de verbas nas confederações, falta de patrocínios etc.
Só que o que quero trazer para discussão é a falta de visibilidade desse esporte nos meios de comunicação.
Você já viu a Globo abordando o Handebol?
Você já assistiu alguma partida de Handebol pelo Sportv?
Já viu ou conhece algum jogador de Handebol que foi entrevistado pela Band?
O argumento dessas emissoras provavelmente será que não há audiência. Ora, só haverá audiência se as emissoras propagarem a prática daquele esporte. Se não houver espaço na mídia, ninguém saberá o que se trata aquele assunto!
E parecido com a recém-formado que busca emprego e dizem que ele não tem experiência. Como ele terá experiência se nunca dão o primeiro emprego a ele?
Mas então como há transmissão ao vivo de Rugby pelo Sportv? Por quê há transmissão ao vivo de Stock Car domingo de manhã? Por quê há transmissão de Fórmula Truck? Será porque existem interesses que permeiam isso tudo?
Quando isso acontece é em época de Olimpíada ou Panamericano que existe um apelo dessas mídias e que, mesmo assim, perde visibilidade para outros esportes.
Voltado a falar sobre o Mundial Feminino que ocorre em São Paulo até este domingo, dia 18/12, a seleção feminina brasileira chega às Quartas-de-finais e enfrentará hoje a Espanha por uma vaga na Semi-final. Se o Brasil vencer é a primeira vez na história que isso ocorrerá.
E ninguém fala nada??????
Enfim, quem quiser assistir o jogo hoje terá que acessar op site http://www.esporteinterativo.com.br/. Lá transmitirá ao vivo a partida dessas guerreiras brasileiras a partir das 19:45.